
Todos os anos repetimos o mesmo ritual nos dias 24 e 25. Muita gente não sabe extamente por quê. Elaboramos um almanaque sobre o natal. Ele poderá ser usado para você mudar de assunto naquele momento da festa em que seu cunhado vai contar a mesma história pelo décimo ano seguido.
Por Nelito Fernandes
1. Por que no dia 25?
Porque foi quando Jesus Cristo nasceu, diria um leitor apressado. Não exatamente. Os povos antigos (e não estamos falando do seu tio) comemoravam o solstício de inverno - a noite mais longa do ano -, que normalmente acontece no Hemisfério Norte por volta do dia 22. Na Roma Antiga, celebravam-se dois festivais: a Saturnalia, de 17 a 23 de dezembro, e o Sol Invictus, no dia 25, uma homenagem ao sol que vence o inverno. O dia 25 de dezembro seria também a data de nascimento do deus persa Mitra, o Sol da Virtude. A reportagem não conseguiu localizar a certidão de nascimento de Mitra, então vamos manter o condicional “seria”.
2. Onde Jesus entra na História?
A proveitando a popularidade da data e a tradição das festas, a Igreja Católica achou por bem dizer que o menino Jesus nasceu naquele período, também em 25 de dezembro. Existem algumas evidências de que Jesus não veio ao mundo nem sequer naquele mês. A Bílbia cita pastores fazendo vigília à noite com ovelhas no dia de nascimento de Cristo. Mas, nessa época do ano, essas vigílias não eram comuns por causa do frio. O tema é polêmico e já foi objeto de muitos estudos e discussão. A dúvida, portanto, continua.
3. De onde surgiu a árvore de natal?
Também existem várias teorias. A mais aceita pelos historiadores é que a tradição da árvore tenha surgido na Alemanha. Certa noite, o padre Martinho Lutero (1483 – 1546), que liderou a reforma protestante, caminhava por uma trilha quando viu o céu estrelado através da copa de pinheiros. Ele resolveu recriar aquele momento. Levou um galho da árvore para a sala e pendurou uma estrela. O padre dizia às crianças que a árvore com penduricalhos representava a posição das estrelas no céu quando Jesus nasceu. É por isso que os pinheiros são os preferidos hoje em dia.
4. Quem foi o Papai Noel?
O Bom Velhinho de carne e osso – Seu Nicolau – teria nascido em Patras, na Grécia, no século IV. Era de família rica e, generoso, dava presentes às crianças em um dia da primavera. Depois que seus pais morreram, doou seus bens e virou bispo. Popular, ganhou fama de milagreiro e foi canonizado. A Igreja Católica propôs fixar a data de distribuição de presentes de São Nicolau no dia 25, para coincidir com o nascimento de Jesus. A chaminé netrou na história porque, diz a lenda, Nicolau fazia doações anônimas jogando sacos de moedas pelas chaminés. Nicolau virou Noel, termo que significa Natal em francês.
5. Por que ele usa vermelho?
Até o século XIX, Papai Noel era desenhado como um bispo montado num cavalo, distribuindo presentes às crianças. Em 1862, ficaram muito populares as ilustrações do cartunista americano Thomas Nast, que desenhava Papai Noel do tamanho de um duende, descendo a chaminé. Quatro anos depois, Nast pintou de vermelho a roupa de Papai Noel. Existe uma lenda que diz que o Bom Velhinho usa vermelho por causa da Coca-Cola, mas não é verdade. A própria empresa diz em seu site que foi Nast quem vestiu o duende nessa cor. Mas foi a Coca-Cola a responsável pela imagem de Papai Noel que temos hoje. Tm 1931, a fabricante de refrigerantes fez um anúncio de revista mostrando-o como um barbudo simpático e gorducho. E, claro, de roupa vermelha.
6. E a rabanada?
Ela veio de Portugal, onde há muito tempo ela é consumida na véspera do Natal. A iguaria era muito apreciada pelos pobres, porque reutilizava pães velhos. Agora você já sabe de onde veio a rabanada. E para onde ela vai? Pergunte a seu professor na academia.
Fonte: Revista ÉPOCA, 19 de dezembro de 2011.